“meuzamigo” e “minhazamiga,, saudações!
Nos primeiros meses de vida, se parece a um rei deitado numa liteira, todos desejam lhe abraçar, acariciar e beijar. Nana nana bebezinho dentro do bercinho.
No primeiro ano de vida, se parece a um porco, que se rola na sujeira. Vem neném, vem meu bebezinho, vem pra banheirinha depois das orelhinhas mamãe vai limpar tua bundinha!
Nos dez anos de vida, se parece a um cabrito: salta, salta e salta. Arrebenta-se, corre, ri enturmar-se, vai pra escola, tira nota baixa e chora.
Mais uma década de vida, já pensa ser um cavalo alazão, fala “relinchando”, se empluma como um pavão e galanteia as fêmeas. Diz que as espinhas estão lá porque está ficando homenzinho, ó pobre cavalinho! Já não basta só dar as mãos, quer pegar o corpo inteiro, pra azar da família, já não quer mais ficar solteiro.
Depois, quando se casa, se parece a um burro. Volta pra casa cansado, lembrando-se do passado, bebe para esquecer e na mesa dá um murro.
E adquirindo mais idade ainda se não bastasse ter a prole para sustentar, se parece a um cão de tão audacioso, morde a todos quando recebe o pagamento, não há outro argumento senão pedir emprestado porque quase espumando de raiva para casa o pobre coitado precisa levar o pão.
Então já na velhice, se parece a um macaco. Se contemplando num espelho, faz mimica, puxa e repuxa a pele do rosto, mostra a língua e pragueja contra seus cabelos brancos, e resmungando sozinho no banheiro, apertando a cintura, com dor nos rins “ai de mim!” o pobre coitado não acredita que o tempo passou tão rápido e lhe tenha dado uma aparência assim… E não sonha mais com um carrão, disso já começa a sentir medo…”carrão! carrão? Em qual deles caberá o caixão?”