(encontrei esta música no Youtube e que vem de encontro ao meu verso acima escrito em 1982)
O VELHO ROCEIRO\0/ OLDA KAMPARANO
Ele era um roceiro velho, solitário e cansado,
que sabia não somente arar, plantar e colher,
mas também sabia escrever, recitar e ler.
Seus contos, casos e poemas sempre alegrava e encantava a todos.
Ele espalhava no chão todas as letras que
formavam belas palavras, desde o nascer ao por do sol.
Assim foi desde o inicio ao final de sua vida.
Lançou ao solo sua mais nova produção de sementes e
foi para casa mais cedo naquele dia, deitou-se em silencio e descansou.
Quem o conhecia espera agora ansiosamente pela colheita.
PRIMAVERA \0/ PRINTEMPO
ÁGUA \0/ AKVO

A água era limpa e dela se podia aproveitar para tudo fazer. Feliz e cantando seu murmurinho, corria a água para um certo lugar distante. Todos admiravam a transparência e o frescor da água. Mas com o passar do tempo, com todo o mal uso que fizeram dela, os próprios que a contemplavam quase que a adorando começaram a menosprezar a água, que já fora limpa e admirada, talvez por ignorância, talvez por inveja da felicidade da água. A gente conhece bem como é o povo, que esquece rápido o seu passado. De tão grande foi o desprezo, que a água, passou a minguar e não mais correr alegre para um certo lugar distante. Se fechando em si mesma, de cristalina passou a se tornar opaca. Todos lhe diziam mal e reclamavam de seu odor. Mais um pouco de tempo , já não se ouvia e se via qualquer movimento da outrora tão bela água. Hoje em dia, o lugar por onde ela corria feliz e cantarolando tornou-se uma trilha por onde passam pessoas com grandes potes, indo e vindo buscar água num certo lugar distante. E muitos se perguntam: “Recorda como era bom quando por aqui corria a água?”
ÁGUA
(mais uma estórinha escrita por mim e para eu mesmo ler quando estiver sem sono, mas se quiserem também podem ler !)
UM BOM DIA ! e BEBAM MUITA ÁGUA, o tempo alem de quente está seco!
MOLHADO
GATO
Um barril apodrecendo
revestido por arame farpado.
Do buraco desse barril, saiu um gato.
Ele se inclinou, limpou seus olhinhos com as patas,
e para a rua livremente saiu do gueto.
Próximo do arame farpado estava um soldado,
que tudo via,porém, não disparou um só tiro contra o feliz gato.
O gato logo em paz, passeou tranquilo pela rua…
E nós presos, atrás do muro de arame farpado, ao Deus perguntávamos,
“Por que, ó meu Grande Deus, também não nos fez nascer como gato?”
*UM POEMA ESCRITO NO GUETO DE VARSÓVIA DURANTE A 2ª GRANDE GUERRA E TÃO ATUAL PARA A SITUAÇÃO DOS REFUGIADOS QUE TENTAM ATRAVESSAR A HUNGRIA.







