Querido Diário, “meuzamigo” e “minhazamiga”, saudações!

Hoje, xicoburi tenho a pretensão de escrever uma postagem pensando num acontecimento ocorrido, há pouco mais de um mês, numa escola técnica de importante cidade aqui do Estado de São Paulo. Qualquer cidadã ou cidadão neste nosso grande, belo e deprimente país de formato triangular invertido sabe muito mais do que xicoburi sei que há liberdade opinião neste nosso país continental, de acordo com o artigo quinto da Constituição. Xicoburi acho que as pessoas podem ter qualquer opinião – não importa o quão estranhas elas sejam. A liberdade de expressão também é amplamente predominante aqui – as pessoas podem expressar suas opiniões, mas, porém, contudo com certas restrições, é óbvio. E xicoburi digo que é óbvio isso porque certas testas de vento, miolos moles acham que podem tudo dizer por causa desse artigo da nossa constituição…

Xicoburi acho que as opiniões que as pessoas têm ou que nós temos e optam/optamos por expressar em parte criam a imagem que os outros têm da pessoa em questão – uma imagem que se torna positiva ou negativa dependendo da situação. Algo assim como, por exemplo, o famoso caso do famoso político e canalha, que disse o que disse sobre as mulheres lá do exterior, que nem careço dizer aqui quem e de qual país e disse por que acho que utilizou da tal “liberdade de expressão” 😮

Mesmo podendo estar errado, xicoburi penso que essa imagem que as pessoas criam é um dos fatores que determina se os outros respeitam a pessoa e se (e de que maneira) escolhem tratá-la. E algumas pessoas desejam alegar que as opiniões podem influenciar se os indivíduos estão qualificados para realizar determinados trabalhos ou não. Imagine, por exemplo, uma pessoa que expressa em um discurso e escreve sua opinião de que as “pessoas ruivas de olhos escuros e com lábios grossos” são um lixo degenerado, que deve ser castrado para que seus genes possam ser erradicados. Imagine que essas opiniões sejam expressas repetidamente nas páginas das redes sociais das pessoas e outros lugares semelhantes. Se xicoburi encontrasse uma pessoa assim, por exemplo, como um motorista de táxi, que tinha que expressar muito suas opiniões enquanto me levava para casa, xicoburi não me incomodaria muito com isso – balanço a cabeça ao ver como ele estava confuso, mas xicoburi não vejo razão para acreditar que essas visões bizarras afetam sua habilidade como motorista de táxi (desde que ele simplesmente não ceda aos passageiros canhotos!). Mas e se a pessoa estivesse trabalhando como professor/instrutor/educador? Os pais de crianças “ruivas de olhos escuros e com lábios grossos” concordariam que deveriam consultar instrutores com essas opiniões (e isso se aplica mesmo que eles não as mencione em sala de aula)? Acho que estudantes se sentiriam mal na aula com a pessoa em questão. E ainda acho que existiria o risco de que os demais estudantes que possam se espelhar nos instrutores e começassem a ver isso como um incentivo indireto para usar esse incomoda/bullying a respeito de todas as “pessoas ruivas com olhos escuros e com lábios grossos”… Que vida infernal seria para estudantes com essa complexão!
Qualquer que seja o instrutor ou a instrutora, professores enfim, com tanto preconceito contra um determinado grupo de alunos simplesmente não está qualificado para fazer seu trabalho. Xicoburi posso ser antiquado, mas espero que os professores sejam respeitados como indivíduos – e um professor que expressa publicamente tais pontos de vista não seria um indivíduo que xicoburi pudesse respeitar. Os preconceitos do professor homo fóbico em questão não se aplicam às “pessoas ruivas com olhos escuros e com lábios grossos”, logicamente que não, mas aos homossexuais, e são igualmente ridículos… E o tornam tão incompetente quanto um professor, um educador. E por isso mesmo, xicoburi penso que não foi um erro demitir o tal professor- o único erro foi contratá-lo no começo.
Então, isso foi o que penso a esse respeito. Termino dizendo que a fotografia que insirI logo acima, paisagem um tanto quanto cinzenta é um modo para xicoburi desejar uma agradável sexta-feira com bastante reflexão. Tchau e ao rever!