VOCÊ JÁ LEU O ROMANCE…

… “A MÃE”?

Querido Diário, “meuzamigo” e “minhazamiga”, saudações!

Trata-se de um livro que Xicoburi não me canso de reler; e acho que ele é um livro mais evocativo do que épico, “ A MÃE” escrito por GORKI entre 1906/1907. Xicoburi penso que nós, pessoas contrárias ao sistema do atual governo federal que está tentando de todas as maneiras possíveis desestabilizar a nação brasileira, deveríamos agir , ter o brio e a coragem dessa mulher e mãe que foi a PÉLEGUÉ , a personagem principal desse romance de qual, aqui abaixo, reproduzo a parte final:

Parecia à Pélegué ter na frente como que uma férvida onda e que todos estavam prontos a compreendê-la e a acreditá-la. O seu desejo era dizer ali, depressa, tudo o que sabia, todos os poderosos pensamentos que lhe subiam harmoniosamente, sem esforço, do âmago do coração; mas faltava-lhe a voz, não lhe saíam do peito mais que sons roucos, entrecortados e trêmulos.

—“A palavra do meu filho é palavra pura de um filho do povo, de uma alma íntegra! Pela audácia se reconhecem os que são íntegros; pela verdade, quando ele o exija, se sacrificam intrepidamente!”

Recebeu uma pancada no peito, cambaleou e caiu para cima do banco. Por sobre as cabeças agitavam-se as mãos dos guardas, os quais agarravam brutalmente os circunstantes pela nuca ou pelos ombros e os atiravam para o lado, arrancavam das cabeças os bonés e os arremessavam longe. Pélegué sentiu confundirem-se e vacilarem as coisas em frente dos olhos, mas dominou a fadiga e serviu-se ainda pouca voz que lhe restava:

---“Povo, reúne as tuas forças em uma só força!”

Caiu-lhe no pescoço e sacudiu-a a mão enorme e encarniçada de um guarda.

—“Cale-se!”

Foi bater com a nuca de encontro à parede. Durante um instante, teve o coração envolvido numa névoa de ardente terror, mas este vapor logo se dissipou ao entusiasmo que a aquecia.

—“Anda para a frente!” disse o guarda.

Não há sofrimento mais amargo que o que dia a dia devora o coração e oprime o peito… O espião precipitou-se ao encontro dela e, brandindo o punho em frente da cara da presa, gritou com voz aguda:
—“Cale-se, canalha!”

Os olhos de Pélegué abriram-se desmedidamente e cintilaram; as maxilas tremiam-lhe. Firmou os pés no lajeado escorregadio e gritou:

—“Não se mata uma alma ressuscitada!”

—“Cadela!”

Com pequeno impulso, o capitão bateu-lhe no rosto.

—“É bem feito para essa velha porca!” gritou uma voz.

Uma coisa negra e vermelha cegou por instantes Pélegué, encheu-lhe a boca o sabor salgado do sangue. Reanimou-se a uma explosão de exclamações:

—“Não tem direito de bater!”—“Camaradas!” —“Que vem a ser isso?” —Ah, patife!” —…”Não é com sangue que  se há de sufocar a razão!”

Empurravam-nas pelas costas, pelo pescoço, batiam-lhe na cabeça e no peito; tudo oscilava e se sumia no sombrio turbilhão dos gritos, dos lamentos e dos silvos dos apitos. Alguma coisa espessa e que a ensurdecia lhe penetrava nos ouvidos e lhe enchia a garganta até à sufocação. O solo fugia-lhe debaixo das pernas, que vergavam, o corpo tiritava-lhe sob o agulhão dos ferimentos; trôpega e exausta, Pélagué cambaleava. Mas continuava a distinguir em volta de si numerosos olhares onde brilhava o entusiasmo decidido que ela conhecia bem. Lavaram-na aos encontrões para um das portas. Ela pôde desembaraçar uma das mãos e agarrou-se ao batente.

—…”Nem mesmo sob um mar de sangue a verdade desaparecerá…”

Descarregaram-lhe uma pancada na mão. —“ Só conseguis congregar os ódios, insensatos que sois! E este ódio, este rancor, há de subverter-vos!”...

O guarda agarrou-a pela garganta e entrou a apertá-la cada vez com mais violenta pressão. Num estertor, balbuciou:— “Os desgraçados…” Alguém respondeu-lhe com prolongado soluço...

                         .*.

PÉLAGÉ, PÉLAGÉ, PÉLAGÉ, você toca no meu coração! Vi tuŝas mian koron!

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