09 DE FEVEREIRO DE 2023 …

… A 6ª QUINTA-FEIRA DO ANO!

Querido Diário, “Minhazamiga” e “Meuzamigo”, saudações!

O tempo parece estar passando tão rápidamente e assim xicoburi desejo uma boa jornada de quinta-feira! E hoje, pensei que se o povo não se der conta de que enquanto tivermos o sistema Capitalista “reinando” em nossa nação, a culpa de tanta desigualdade social somente será deles, tanto do povo quanto do sistema e desse modo a menor e poderosa elite, continuará dominando e explorando a maior parte da população que nada mais tem a oferecer a não ser sua força de trabalho. Assim escreverei um versinho(!) que aprendi quando ainda era um guri: “Minha casinha meu lar. Meu peniquinho de mijar…Merda p’ro Rei e p’ra Rainha!”

Bem…xicoburi ou já li ou já tomei conhecimento em algum lugar que uma “mentira nobre” é quando governantes ou líderes apresentam uma imagem falsa para obter controle sobre seus súditos ou seguidores. Eles recebem a esperança de algo diferente e melhor além de seu alcance, ou que certas crenças são firmemente estabelecidas como uma realidade inabalável.  Exemplos dessas nobres mentiras são muitas histórias sobre a origem do mundo, tanto religiosas quanto algumas até atribuídas à ciência, como a teoria da famosa “Grande Explosão ou Big Bang”. É assim que as coisas podem ser resolvidas – aqueles que acreditam nessa enorme explosão inicial em vez de outras histórias da criação são mais propensos a apoiar o progresso científico, como se fosse uma realidade e não um conceito. E assim, pulando disso para a política, xicoburi acho que poderemos ter como escudos sobre casas, resgates nas praias e várias mentiras nobres são usados para ganhar apoio. As “mentiras nobres” não podem ser provadas ou refutadas. Se xicoburi digo que vou construir um baita muro, ou uma muralha eletrificada, ao redor das casas da cidadezinha onde habito, como demonstrar que essa muralha eletrificada não está em construção ou não foi construída, já que não é mensurável e nem existe?

Xicoburi imagino que essas mentiras existem e as pessoas estão sendo enganadas, porque estão recebendo algo para se agarrar quando a realidade é que não há nada para se agarrar. Quem está prestes a cair do telhado de uma casa tem pouco a ganhar agarrando-se a uma corda imaginária. Os que estão no poder, por outro lado, ganham muito dinheiro mostrando às pessoas que pensam que estão caindo para a frente numa corda imaginária à qual se agarram e não querem se soltar, pois antecipam a morte iminente e se soltam. Porém, imagino também que seja possível perguntar se as mentiras são justificadas. Algumas pessoas não pensam assim…acreditam nas mentiras de muitas pessoas na política. Mas então, xicoburi penso que daí surgem questões, como se é justificado mentir para evitar que um vilão ganhe poder ou faça mal a alguém. Xicoburi não penso assim, pois mentindo, qualquer pessoa transforma a si mesmo e seu grupo em alguma outra força maligna, porém dizendo a verdade significa que se perde o poder porque os outros vilões estão se debatendo em vão, surgem dúvidas sobre se mentir (algumas vezes, pelo menos) é algo necessário para proteger aqueles que se deseja proteger. Será que xicoburi estou errado pensando assim…sei lá!

Mas, prosseguindo, xicoburi tenho em mente que o problema é que na primeira mentira dita se torna a personificação do que o que desejava lutar contra.  E assim, a pessoa então já se tornou seu próprio inimigo e ficará progressivamente pior quanto mais tecer a teia de mentiras. Xicoburi penso que é fácil entender isso quando se vê e ouve um “boca mole”,  como o que tivemos na presidência da república nos últimos quatro anos, discursando através dos noticiários ou reportagens. É assim que as melhores pessoas são transformadas em vermes ao participar da política cruel, e é por isso que eu mesmo não quis participar da política, porque quero manter minha própria integridade e não ser corrompido, e temo que a política poderia facilmente corromper ao xicoburi, como faz, fez e ainda fará com a maioria dos outros, sendo xicoburi apenas um ser  humano.  

E é claro que esta postagem surge das próprias especulações sobre as mentiras do governo federal anterior, um homem que deseja se fazer passar por intacto como político e logo nos primeiros meses do seu governo perdeu toda a credibilidade que tinha, agarrando-se desajeitadamente a uma corda imaginária que todos podiam ver que não é real , exceto talvez ele mesmo e se tornando assim um grande mentiroso, falastrão, enganador. O fato de uma considerável parcela da nossa população apoiá-lo apenas confirma que a mentira é muito maior e mais ampla do que o povo pode ver. Além disso, xicoburi posso dizer também que  esta postagem decorre das conversas que ocorreram no sistema de comentários de algumas postagens que tenho lido, onde a verdade está sendo combatida duramente quando se trata de política e de religião. Lá diferentes facções se encontraram como dois exércitos no vasto campo de batalha da verdade, se chocando com espadas e escudos, e alguns chegaram à conclusão de que estão de um lado e outros de outro lado, mas eu mesmo cheguei à conclusão de que isso a guerra é uma ilusão e posso descuidadamente não apenas ficar do lado de fora dela, mas bater minhas asas e voar sobre a zona de conflito e admirar as pessoas lutando entre si e imaginar como seria o mundo se essas pessoas trabalhassem juntas por um mundo melhor, e então entendo que o termo “mundo melhor” pode ser apenas uma auto-ilusão, já que o termo em si não passa de uma nobre mentira.

Estas reflexões que tenho sobre “nobres mentiras” começaram quando xicoburi era ainda um guri, quando a mãe dizia para xicoburi nunca mentir, nenhuma justiça mente. E perguntei por quê, mas não obtive respostas que pudesse aceitar. O pai dizia: “mesmo que eu minta, estou dizendo verdade!” Isso dava um nó na cabeça de xicoburi. Ainda assim, essa ideia estava fresca em mente e ponderei sobre os efeitos de mentir e sempre dizer a verdade. Então, xicoburi cheguei à conclusão de que era melhor dizer sempre a verdade porque se tentasse mentir sobre alguma coisa, acabaria por sair, pois a memória da verdade era sempre mais forte do que a memória da mentira. É mais fácil esquecer as mentiras do que a verdade. Além disso, é tão difícil distinguir o verdadeiro do falso e compreender o contexto do que é verdadeiro, que as mentiras são como distúrbios elétricos em uma sala onde é necessária uma boa luz para o aprendizado.

Foi só quando comecei a ler sobre filosofia, por puro interesse, que percebi que não era o único no mundo tão esquisito a ponto de me perguntar sobre essas coisas. E foi quando li “A REPÚBLICA” de Platão, que me deparei com um parágrafo que tratava justamente da “nobre mentira”, e parecia justificar as mentiras do político. Esse parágrafo tanto surpreendeu e  irritou xicoburi ao mesmo tempo. Fiquei aborrecido com Platão (imagine isso!) por trazer tal confusão, a princípio, pois em seus escritos anteriores ele travou uma batalha feroz contra os sofistas, ou aqueles que praticavam a arte da persuasão e mentira como profissão, e produziu estadistas que poderiam argumentar algumas questões de todos os lados e usou argumentos para chegar ao poder, em vez de buscar a verdade.

Xicoburi pergunto ao xicoburi mesmo, se um dos maiores filósofos de todos os tempos desistiu de sua luta pela verdade. Que seu amor pela verdade morreu. Que ele não via mais sentido na luta. Que ele deu uma volta completa. Que mentiras e enganos só podem vencer na guerra contra a verdade e a transparência. E que essa história se repete no nosso belo, grande e deprimente país de formato triangular invertido que aprendemos a chamar Brasil,  atualmente, há mais de  2.400 anos depois, que se evidenciou com força e transparência neste últimos seis anos…Deposição do cargo da Presidente, legitimamente eleita, da prisão ilegal  do atual presidente da república, com base em fatos mentirosos…Com a eleição de um verdadeiro mentiroso, incapacitado para comandar o país juntamente com sua familícia.  Como poderíamos contornar uma dessas mentiras úteis que já discutimos, uma nobre mentira que, no máximo, convenceria até os próprios dirigentes, mas não seria possível, pelo menos, aos demais cidadãos?  Que tipo de mentira? Nada de novo, mas uma história que descreve algo que aconteceu em muitos lugares. Pelo menos é o que dizem os poetas e eles convenceram muitas pessoas a acreditar em suas palavras também. Não aconteceu entre nós e nem tenho certeza se poderia acontecer. Certamente seria preciso muita persuasão para fazer as pessoas acreditarem nisso.” (- A REPÚBLICA,  Platão, 414c)

Bem, então isto é tudo para a postagem de hoje e não vou pedir perdão ou desculpas por esta ter se tornando quilométrica, mas, vou dizer Tchau e ao Rever!

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