Querido Diário, “minhazamiga” e “meuzamigo”, saudações!
Na caminhada de hoje, xicoburi vi no topo da árvore um casal de Curicaca aproveitando o sol desta manhã para se secar… Não foi somente xicoburi tentando fazer o mesmo depois da chuvarada para não enferrujar…

Bem, e como recomeçou a chover, e o que devo fazer para postar alguma coisa para hoje? Xicoburi pergunto a xicoburi mesmo. Então, agora estou tão confuso sobre a rima que provavelmente pensei em ter duas estóriazinhas neste blogue… E por que não hoje? Xicoburi realmente pensei que já tinha montado algum conto sobre animais, pessoas religiosas e tiroteios, fadas e pirilampos, mas parece que não é o caso. Não demorou muito para xicoburi ficar completamente confuso. Mesmo, assim o único neurônio que tenho funcionando insiste para que xicoburi escreva as estorietas e pareço estar seriamente sendo influenciado por ele, mesmo que elas sejam terrivelmente estúpidas. De alguma forma xicoburi tenho que me livrar dessa insistência, caso contrário, tenho que continuar pensando nela e, honestamente, não é um pensamento confortável. Dessa forma, também acho mais fácil publicar esta postagem o mais rapidamente possivel, mesmo que ninguém a lerá, somente para desencargo de consciência…Sendo assim, a primeira estorieta recebe o título:
UMA CASA NÃO É SUFICIENTE.
Era uma vez (é assim que se iniciam as mais belas estorietas!), numa clareira muito pequena na floresta, lá viviam um velho aposentado e uma ex-terrivelmente evangélica idosa. Isso com essa velhota foi meio que uma verdadeira história, porque ela foi expulsa da congregação em que estava pelo motivo de ter resolvido conviver com o homem a quem xicoburi nomeei de “Honáro”, que vinha semanalmente à sua casa e pegava a roupa suja para lavar e, claro, devolvia as anteriores já limpas na mesma viagem. Apenas isso acontecia entre eles! Mas, sabe como é a irmandade… nada perdoa, quando mesmo que negam não participar de fofocas. Essa senhora “abençoada” nunca tinha tido um contato mais intimo como aquele homem, nunca, nunca mesmo! Mas, o que aconteceu foi que certo dia ele quis ser terrivelmente engraçado e disse em voz alta ao chegar à porta da velha:
“Eu vim apenas buscar sua calcinha.” Essa idosa, a quem xicoburi nomeei “deMartes” rapidamente tirou a calcinha e deu a ele para levasse para lavar. Este foi o início de seu conhecimento mais próximo, sobre o qual não entraremos em mais detalhes, mas agora já sabemos como se deu sua expulsão dela da congregação. Alguns dias depois, Honáro e deMartes concordaram que era hora de construir uma casinha na clareira da floresta, justamente onde alguém sem querer tinha posto fogo para formar um pasto para criar gado… mas não deu certo. Bem…o idoso casal então pediu à coruja, que era o animal mais inteligente naquela floresta, para ir à loja de materiais de construção mais próxima e tentar pegar madeira e cimento. Eles pensaram que poderiam obter bastante cascalho e areia em um leito de riacho seco ali próximo. A coruja imediatamente voou e disse que tentaria isso. Ela logo voltou com feixe de madeiras amarrado em seu bico, mas o cimento estava num saco que ela voltou para buscar e trouxe arrastando atrás de si… O velho casal, que não era muito velho, vamos dizer meia idade, começou agora a mexer o concreto e a rebocar as paredes. Em pouco tempo, havia uma extensão bonita do que antes era uma casinha com dois quartos e cozinha, agora se tornou a mais luxuosa casa de cento e tantos metros quadrados, com andar superior e sobre este uma bela piscina de água aquecida e com ondas. A coruja pensou que tinha o direito de morar com eles, porque ela havia fornecido a madeira e o cimento. Honáro e deMartes não quiseram ouvir sobre isso e disseram que não queriam transformar sua casa numa casa de passarinho. A coruja, então, entrou em frenesi e foi falar com os corvos e contou-lhes toda a estória desde o início. Esses por sua vez, foram até as gaivotas, e essas às curucacas e essas aos corvos e esses aos outros pássaro e juntos foram ter com o velho casal, que como xicoburi já escrevi, não eram tão velhos, mas de meia-idade. Dai então, o casal foi forçado a adquirir mais algumas outras belas casas, num total de umas cinco dezenas delas. E tiveram que dar posse de cada casa a cada uma daquelas aves… E assim foi feito. De maneira que a casa primeira ainda está lá hoje na clareira da margem do riacho seco…e as cinco dezenas de outras estão em distintos bairros da localidade. Atualmente fica a ser explicado como o velho casal (que xicoburi já escrevi que não era idoso, mas de meia idade), conseguiu adquirir...
A segunda estorieta recebe o título de:
UMA FAMÍLIA DE ESTÚPIDOS FAZENDO SUAS ESTUPIDEZAS
Era uma vez (novamente informo que é assim que se iniciam as mais belas estorietas!) um homem e uma velha em sua cabana. Eles tinham um bezerro de ouro. (Eitaaaa! Então, a estória está pela metade!). Ele corria pelo campo aberto, após uma queimada que destruiu toda um belo bosque lá havia. Não! Não! Talvez, quem ler possa pensar que xicoburi estou repetindo ou dando continuidade à estória anterior ou que todas as estórias começam assim. E isso não é verdade e nem engraçado! Para ser honesto, esta estória é bem assim: Um gurizão que nomeei de Bê, disse para seus outros três irmãos, Bí, Bó, Bú e única irmã Bá, que jamais desejaria entrar num avião, mas agora que já estavam sentados dentro da aeronave não teria como desistir. Seu pai, ex-fardado, muito austéro e boçal havia dito a ele que isso seria muito divertido, no entanto, ir para o exterior sozinho não era divertido e que deveria levar seus irmãos e irmã. E se o avião caísse agora e ele perdesse a vida. Não seria divertido? Claro que seria bom ser o único sobrevivente. Ele estava absolutamente convencido de que sairia vivo dos destroços se o avião caísse, confiava nas palavras de seu pai. E tanto que o pai insistiu que Bê estava absolutamente determinado a deixar mais do que nunca o avião cair, e ser o único sobrevivente da família. Ele ainda não tinha decidido como faria isso, mas essa foi a principal razão pela qual ele decidiu permanecer no avião, em companhia de seus irmãos e irmã. Bê já tinha decidido que faria isso, caso contrário, seu pai ficaria muito desapontado. Quando o avião estava decolando, Bê percebeu que tinha um pouco de “teto baixo”, mas ele ainda não se incomodava muito na velocidade, pois não havia comparação com outras aeronaves. O avião ainda decolou como se nada tivesse acontecido, e lá já no alto começou o chamado “show das aeromoças”, onde, além dos comissários de bordo, todos os tipos de dispositivos de emergência foram mostrados para quem estava cansado de assistir os comissários de bordo por pela menos a octogésima terceira vez… e o avião sacolejava.
E de alguma maneira pouco tempo depois, o avião se firmou e seguiu sua rota, sem fracasso. Nessa altura do voo, Bê já havia decidido como o avião cairia e que isso aconteceria logo mais… No entanto, Bê estava disposto a adiar um pouco, pois o serviço de bordo logo começou a aparecer e os comissários e aeromoças começaram a trazer bandejas de comidas e bebidas para os passageiros. “Talvez devo esperar um pouco antes de deixar o avião cair”, pensou Bê. Uma vez que as bandejas foram recolhidas novamente, ele decidiu que não havia mais nada para esperar. Mas não importa no que ele pensava, o avião não falhou…e seguia voando e voando. Por fim, Bê decidiu recorrer às dicas de “microlimpeza”. Ele pediu ajuda com um botão especial, e quando a aeromoça chegou, ele tirou uma arma do bolso da jaqueta e disse que tinha uma arma e que ela tinha que leva-lo até ao piloto porque ele precisava falar com ele e que ela, a aeromoça, não tentasse nada…nenhuma gracinha. A aeromoça não se atreveu a fazer nada além de obedecer às ordens de Bê e o seguiu até a cabine. Quando ele chegou à cabine, ele disse ao piloto para fazer o avião despencar ou ele dispararia a arma que fingia estar carregada e a apontava para o piloto. O piloto apenas riu e bateu levemente no cano da arma pois já tinha percebido que era “um brinquedo de borracha”, — (era na verdade um dos brinquedinhos utilizados pelo seu outro irmão mais novo, em suas horas de solidão, já que tudo em sua casa, por influência do pai, tudo tinha formato de armas de fogo…tudo! até o brinquedinho de borracha preferido do irmão!) Bem, —- que dobrou e instantaneamente se endireitou novamente…(borracha é flexível!) Ninguém entrou na cabine naquele momento, então o piloto se levantou e deu um tapa na bochecha de Bê. Com este ataque inesperado, ele escorregou para trás e caiu longitudinalmente de costas. Assim terminou a primeira tentativa de sequestro de Bê, que foi uma ideia tão estúpida quanto tudo o que engendrava costumeiramente a sua estúpida família! E O AVIÃO NÃO CAIU! E assim, xicoburi termino essa outra estorieta por aqui mesmo!
Bem…e também vou terminar esta postagem que se tornou quilométrica, e apenas digo: Tchau e Ao rever!