Querido Diário, “Minhazamiga”, “Meuzamigo” e Camaradas: Xicoburi digo que nesta manhã de quinta-feira, que já estava quente, mas com jeito de chuva, vi a “gataiada” se divertindo no quintal! E eis o Felíxio, o gato mais idoso e dominador entre todos os demais que tenho, posando “sorridente” para a fotografia… Imaginem se ele estivesse posando com raiva, como quando por brincadeira, certa vez xicoburi o peguei no colo e o chamei: “Felíxio, meu cãozinho gordinho”…então!

E então entrando nas linhas desta postagem, xicoburi já imaginei o que aconteceria se alguma pessoa chamasse gato de cachorro, cachorro de rato, e rato de gato. O que aconteceria? Bem… Se confundiria no espaço e talvez no processo começasse a confundir outras pessoas no espaço também, e talvez essa pessoa seria corrigida de imediato pela confusão: “Não! Eu não sou o Cristóvão, eu sou Marcelina a esposa dele!” E xicoburi imagino que alguém, vamos dizer assim, chamou a cor amarela de vermelha e vermelho de azul e azul de verde. Logo as coisas ficariam confusas, especialmente se essa pessoa tentasse discutir assuntos relativos aos animais e as cores com outras pessoas.
Xicoburi penso que utilizar os nomes certos para as coisas é como ser honesto em sua própria língua, seu próprio idioma e é não enganar os outros ou a si mesmo. Imagine alguém intimidando outra pessoa e, quando é culpado por isso, dá um passo para trás e diz, se desculpando: “Cara, me desculpe!” Essa pessoa poderia ser imediatamente repreendida e deveria nomear as pessoas pelos seus títulos, pelos nomes? Porém, num grupo de pessoas amigas, uma delas apresenta outra da seguinte maneira e a elogiando: “Essa cara aqui escreve poemas divinamente bem, essa cara poderia se tornar famosa se publicasse seus poemas!”. Então, xicoburi acho que não estaria sendo usado outro nome para confundir os espectadores no espaço, lançar um pouco de dúvida sobre as pessoas para que ela pudesse escapar, mas numa gíria que todas as pessoas no grupo entenderiam como um título elogioso…”cara” e não agressivo. Possivelmente, sim. E aconteceu recentemente o caso de um parlamentar se referir ao outro colega, mas da oposição, utilizando ofensivamente o termo “Esse Cara” e foi duramente repreendido pelo parlamentar que se sentiu ofendido e que retrucou, mais ou menos assim: “Esse Cara, não! Sua Excelência, sim!”.
E xicoburi sei que as pessoas sabem muito mais do xicoburi mesmo sei (ou talvez nem tantas assim!) que quando nos comunicamos com outras pessoas, a precisão na escolha das palavras e a abertura são absolutamente essenciais. Na verdade, é mais difícil do que muitas pessoas pensam ser capaz de discutir as questões, mesmo que todos os pressupostos sejam claros. É possível ouvir e entender mal, mesmo que as pessoas façam o possível para falar com sensatez. É preciso treino e disciplina para ter uma boa conversa, o que inclui ouvir as palavras da outra pessoa e escolher as palavras certas, e depois conectá-las ao que queremos dizer, aos nossos pensamentos e ao contexto natural da conversa.
E é preciso ter polidez, mesmo quando (e mais do que nunca)… se as pessoas estão em campos opostos, pois xicoburi penso que quando escolhemos as palavras certas, estamos construindo as bases para uma boa tomada de decisões e confiança. Isso garante que estamos discutindo o que realmente queremos discutir. Para uma pessoa que deseja cultivar a sua própria mente aceder ao conhecimento e à sabedoria e ponderar ideias que remontam a milhares de anos, precisa treinar para ver as ideias com clareza e integridade. Ela pode precisar perceber que as palavras para as mesmas coisas mudam às vezes, com base no contexto do discurso e até mesmo com base nas tradições de diferentes culturas. Quando alguma pessoa passa a analisar e compreender textos antigos e novos, essa pessoa está se “treinando” para pensar logicamente, mas o melhor treino ainda é quando aplicamos estas palavras à nossa maneira. Escolher as palavras certas está relacionado a ver as coisas com clareza, abertura, compreensão e boa comunicação.
Mas, porém e muito infelizmente, xicoburi tenho quase a certeza absoluta que a escolha descuidada de palavras às vezes é observada na linguagem quotidiana, e então a gente precisa estar atento e ter o cuidado de chamar as coisas e as pessoas pelos seus nomes corretos. Por exemplo, quando vemos alguém sendo muito duro, é melhor criticar o que a pessoa fez por ser muito duro do que chamar essa pessoa de “fascista”, pois tal palavra é carregada de significado e pode significar coisas diferentes para pessoas diferentes. Ser muito duro já é ruim o suficiente, e adicionar um termo como “fascista” só fará uma coisa: despertar emoções imprevisíveis e raiva, isso é um termo certamente ofensivo… Mas, ao contrário, no entender de xicoburi, há algo com conotação contrária, é quando uma pessoa é chamada de Comunista… nada de ofensivo nisso, aliás, xicoburi esse termo quase como um elogio, se bem que dadas as circunstâncias, como foi e onde foi e o motivo de ser empregado esse termo…ele pode ser também não aceito como elogio e passa a ser ofensivo: “Ei Comunista”…”Seu Comunistinha!, sua comunistinha!”…Opa! Isso já pejorativo, depreciativo, um insulto e então, isso é exatamente o que acontece quando não chamamos as coisas e as pessoas pelos nomes, em vez de nos atermos aos fatos e darmos sentido às coisas, a discussão fica confusa e as pessoas ficam confusas.
Bem, xicoburi vou terminando esta postagem quilométrica por aqui mesmo e espero que as pessoas que a ler, não fiquem confusas…