Querido Diário, “meuzamigo” e “minhazamiga”, saudações!
Hoje, nesta tarde, xicoburi passei algum tempo relendo um dos romances brasileiros que penso ser um dos mais lidos e conhecidos por boa parte da nossa população, O GUARANI, escrito por José de Alencar e publicado lá em 1857… Lindo! Xicoburi li, reli e relerei muitas vezes mais. Um trecho nesse romance descreve o personagem principal, Peri, quando “… cortou umas braças do cipó que ia enrolando ao pescoço, embainhou a faca, e voltou-se para o escudeiro sorrindo…” E, ao pé da página neste capítulo mesmo, há um verbete, logicamente adicionado bem depois da publicação e que descreve o CIPÓ:
“Cipó: Deu a natureza ao Brasil, por entre os arvoredos, umas cordas muito rijas, muitas que nascem aos pés das árvores e atrepam por elas acima a que chamam cipós, com que os índios atam a madeira de suas casas e os brancos que não podem mais. Nestes mesmos matos se criam outras cordas mais delgadas e primas a que os índios chamavam “timbós”, que são mais rijas que os cipós acima.”.
Bem, xicoburi penso que o cipós sempre foram abundantes por todo o nosso território, sempre fora tão bem utilizados pelos habitantes originais destas terras bem antes da invasão dos europeus. Xicoburi lamento que esses primeiros povos não utilizaram com mais imaginação os cipós para enforcarem a todos elementos do segundo povo que somente chegaram para exterminá-los, para explorá-los, escraviza-los e forçando os que sobraram a se tornarem tão submissos a eles;…que com amor cristão os traziam ao mundo do bem e verdadeiro, tirando-os da vida primitiva e da barbárie e fazendo de tudo por fingir que os civilizavam…
Xicoburi termino inserindo uma fotografia que tirei no ultimo janeiro, e dizendo que sim, os cipós têm muitas e muitas outras utilidades. Que pena, que os povos originais deste nosso grande, belo e tão deprimente país de formato triangular invertido que aprendemos a chamar de Brasil, não preocuparam a tempo com isso. Ninguém precisa entender este raciocínio de xicoburi, mas vou continuar lendo agora O Guarani… Tchau e Ao Rever!
