Querido Diário, “meuzamigo” e “minhazamiga”, saudações!
A véspera de Natal acabou tão cedo que xicoburi mal percebi o dia Natal terminando também… agora já é um pouco além das dez da noite, do dia 25. Antigamente, se bem que xicoburi quando era guri e ainda recordo disso, a véspera do Natal era o dia mais longo do ano…interminável, a noite não parecia chegar…a noite de receber os presentes! O dia de Natal, apropriadamente dito, o 25 de dezembro, passava e xicoburi nem se importava com ele. O principal quando você era criança, é claro, eram os presentes. Eles não eram tão ricos, repletos de botõezinhos e luzinhas piscantes quanto são hoje, e muito menos era importante ler a sua origem… ”meidinchaina”. Lembro-me, também, de que era muito necessário ir à “missa do galo”, assim que os presentes fossem recolhidos.
Por alguma razão, os livros escritos por Monteiro Lobato são os mais memoráveis dos presentes de Natal de xicoburi. Acho que foi uma das tias, já falecida quem deu para xicoburi um grande estojo contendo duas dúzias de lápis de cores. Lindo! E um dos tios, já falecido, foi quem deu para xicoburi a primeira caneta tinteiro…uma Compactor, modelo Estudante…preta com visor para ver se ainda tinha tinta… Um luxo! (Ah! Xicoburi ganhei junto um tinteiro da marca Super. Ink… com tinta azul marinho)… Minha primeira impermeável (capa de chuva) para ir à escola, pares de alpargatas roda, bambolê, pião e bolinhas de gude também são presentinhos memoráveis desse período. Não que xicoburi tenha gostado de todos eles como presentes de Natal, mas eles tiveram um impacto significativo na minha infância junto com uma série de outros livros, de escritores clássicos brasileiros, e da literatura universal, incluindo, O Pequeno Príncipe, é claro. Só mais tarde é que a comida, vários costumes de Natal e coisas assim começaram a ter um efeito significativo também para xicoburi… comidas e bebidas!
Bem… e agora parecendo ser bem idoso, (brincadeirinha!) mas, acho que foi pouco antes da virada deste século que li um livro de Agatha Christie…e passei a ser uma colecionador de suas obras. Mais ou menos na mesma época, xicoburi mesmo dei uma longa caminhada pelo centro velho da cidade onde nasci e fiquei até a adolescência, São Paulo e, em minha memória, esses eventos se entrelaçam de uma maneira incompreensível. Acho até que tinha um cão com tudo isso, chamado Bile, manchado preto e branco, que foi morto lá na porteira do Brás…entre a Avenida Rangel Pestana com a Estação de trem da Santos Jundiaí…Nesse mesmo Natal, sinto que até ganhei uma nova compreensão da história desse cão…
E então, num pulo dentro tempo xicoburi me catapulto para o Natal atual onde estão o presidente atual brasileiro e sua desgraçada familícia de negacionistas, bem como toda essa irritante temporada de virose, esse cansativo período de reclusão forçada, essas memórias, essa solidão e tristeza que de alguma forma existe no ar, essa teimosia em desobedecer às leis da saúde, do fique em casa, ou tudo o mais que ele finge saber, mas que ele diz que são “notícias falsas”. Talvez ele seja apenas um trunfo artificial utilizado pela extrema-direita e nada, pelo menos nada, que não estiveram em todas as estórias em quadrinhos que xicoburi que devorava em leituras tão gostosas que chegava a babar… Talvez, esse presidente da república nem saiba se socializar. Kim na Coreia do Norte poderia até ser melhor do que ele em muitos aspectos.
Xicoburi termino por aqui, mesmo sabendo que esta foi uma estranha meditação de Natal. Mas, xicoburi sou assim e não posso fazer nada a respeito. Psiu! A propósito, tiveram uma boa véspera de Natal e além disso, o Papai-Noel deixou os sapatinhos de vocês carregados de presentinhos adoráveis?